terça-feira, 25 de maio de 2010

C'amor

O renascer do ancião Sol
no nascer dum novo dia
traz-me esperança sem igual
e enche-me a alma de alegria.
E não é dia para desperdiçar!
É dia para viver e desfrutar,
para me divertir e brincar...
Para, sem nada temer, amar...
Mesmo sendo difícil alguém
(e até eu próprio) me aceitar,
saber que existe quem
me consiga, incondicionalmente, amar
ajuda-me tanto a conseguir crer
que muito melhor ainda consigo ser.
Que a vida vale a pena viver
para poder ver o amor crescer
em mim e em tudo...
Amo ver como a percepção
me está a mudar o mundo.
Aquece-me tanto o coração...

Dias coloridos

Há dias assim...
e não deveriam ter fim.
Dias destes são o meu serafim.
Salvam-me do abismo em mim.
Pouco dormi e estou tão desperto...
E o céu, todo ele, de azul coberto...
Parece-me o dia certo
para não pensar no incerto.
Parece-me o dia para seguir a intuição,
acreditar "destino sim, coincidência não"
e aceitar a sua preparação
para os dias que virão.
E nesses dias vou-me divertir.
Vou celebrar a vida, o poder ouvir
o som e o seu fluir,
o poder ver este mundinho de colorir
que hoje vejo a sorrir.

Pensamentos inversos e sentimentos adversos

Os teus olhos são as únicas estrelas que quero observar.
Os teus lábios os únicos doces que quero provar.
Os teus cabelos a única fragrância que quero cheirar.
As tuas bochechas as únicas meninas que quero corar...
Mas quem me dera não amar,
não sentir... Quem me dera parar
com este meu peculiar pensar,
para não mais me magoar.
Talvez se, ainda mais, me cegar
não me volte a apaixonar...
Mas isso também nunca me iria bastar!
Ainda mais, e mais, hei-de amar!
O que anseio continuarei a procurar.
E creio que o irei encontrar.
Demore lá o tempo que demorar...
Preparado hei-de estar
para quando o destino nos juntar.
Mas se não for esse o seu desígnio terei de me conformar...
E acabarei por o aceitar.
Que venha lá o que tiver de vir!
Eu quero é continuar a evoluir!
Se for assim que tiver de ser
não faz mal. Eu quero é viver!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Declaração/Exclamação

O copo está cheio,
mesmo que (por vezes) o veja vazio.
Mesmo quando penso ter ardido, e o que semeio,
ainda aqui há muito pavio!
Ainda não desisti do desafio!
Ainda vou a tempo de apanhar o navio!
Ainda me contento com pouco,
o que é bom... não sou oco!
Não me acho superior a tudo!
Tento respeitar, como igual, até o bichinho mais míudo!
E, só nisso, já me dou muito valor!
Mesmo que, por vezes, me esqueça
de que, por mim também sinto amor.
Tenho medo que ele não apareça,
mas eu é o que o escondo de mim!
Mas a maioria dos outros também é assim!
Para quê procurar, amanhã, lá fora,
o que tem que estar aqui, agora?
Hei-de ler isto mil vezes
até tirar da cabeça todas estas fezes!

sábado, 15 de maio de 2010

Relief that doesn't relief (at all)

My thoughts are like fireflies,
spinning out of control, inside my mind.
I convinced myself of so many lies...
Even with some light, the truth is hard to find.
I'm tired of all this hitting and running.
It's like I'm in a game of whack-a-mole against me.
I keep beating and losing,
to myself, over who I want to be.
I'm fighting a world war inside my head
and, for sure, some of me will end up dead.
Which ain't, necessarily, a bad thing...
I guess it's better than nothing...
And I'm so fucking sick
of, constantly writing about some prick
called "I". He's my whole world
'cause he can't do what he's told.
It angers him to have lived,
for so long, with his soul besieged
by all sorts of inner demons, all night and day...
Never knowing what to do, think or say
'cause all those demons are in control.
He just wants them gone and to feel whole.
And he prays to the skies above
to be filled with love...
Because, what he refuses to tell
is that, everyday, he feels closer to unleashing hell.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tresvariando (sempre e com muito gosto)

A aproximação do Verão
ferve-me o sangue e o coração.
Tanta gaja linda e boa...
E nenhuma voa
na minha direcção!
Nenhuma poisa
na minha mão.
Mas que coisa...
Que frustração!
Tudo porque nem ouso
deixar-lhes o meu olhar
ou oferecer-lhes sequer uma palavra.
Talvez quando não me deixar dominar
pela mente, e a tornar minha escrava,
consiga perder-me dos meus medos
e descobrir todos os seus segredos.
E até sem muita conversa...
mas mantendo a personalidade controversa!
Talvez, então, consiga partir
numa aventura antes de desistir
e fazer da vida o meu parque de diversões.
Quero iniciar tão ansiadas explorações...
Não quero continuar atracado
por acabar a pensar demasiado.
Quero sentir-me pacificado
e extasiado
por ter, finalmente, explorado
e desbravado
cada bocado
da minha mente.
E quero conhecer a tua igualmente.
Quero explorar
cada centímetro da tua pele.
Quero-te provar
com chocolate, chantilli ou mel.
Mesmo que sejas doce o suficiente
eu sou muito guloso.
Contigo quero brincar, estar contente
e partilhar um mundo mais amoroso.
Ó anjo que teimas em não cair
perto de mim! Estou quase a desistir
(por fim!) de, por ti, esperar .
Qualquer dia desato aos tiros para o ar
na esperança de te acertar!
Nunca te quis caçar,
mas sempre te quis encontrar.
Muito te quero abraçar
mas, demasiado, não te quero apertar.
Quero deixar-te voar...
...
Que maldição és, romance, que não sais de mim!
Mas porque sou eu assim?

Conversas ao espelho (2)

Escrevo por sofrer,
ou sofro por escrever?
Ora aí está uma boa questão!
Será que o sentimento e a razão
se aliaram para me foder?
Como poderá isto ser?
Não há explicação...
Não há justificação
para andar a correr
(e sempre me perder)
de ilusão em desilusão...
Acorda cabrão!
Senão...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Conversas ao espelho

Finalmente compreendo a derradeira verdade.
Só de mim depende a minha felicidade
e vou-me fazer feliz antes que seja tarde.
Agora que sei o que é o amor, para mim,
não me perturba mais ser assim
e tu não me amares não será o meu fim.
Tanto que eu preciso de te dar...
não vou desistir de o tentar
só porque não o tens para partilhar.
Talvez te consiga mostrar
o que é, realmente, amar
quando me conseguires aceitar
sem me compreender, sem me julgar.
Talvez quando, tudo, não tentares adivinhar...
Provavelmente precisas de aprender
que, só depois do amor vir de ti,
verdadeiramente, o poderás receber.
Tudo o que precisamos já está aqui.
Não o sentimos porque teimamos em o esconder.
Questiona-te o que é egoísmo e amor por ti.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

iLUZões

Não quero ser como um buraco negro,
que tudo suga para a sua escuridão.
Vou acabar com este desassossego
e apaziguar a alma e o coração.
Quero arder intensamente,
mas não no inferno que, para mim, criei.
Não posso permanecer o comburente
dum incêndio que não apaguei.
Este incêndio hei-de apagar
para, em cinzas, não me desfazer.
E num sol me irei tornar...
Uma nova chama vou acender...
Hei-de, fortemente, arder,
mas não no inferno por mim criado.
Vou ser como um sol e ver
um mundo por mim iluminado.
E quando eu brilhar tanto
que, para mim, não consigas olhar,
fecha os olhos por um instante
e sente como te posso iluminar.
Quando eu brilhar tanto
que não me queiras ver,
fecha os olhos por um momento
e sente como te posso aquecer.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PrimaVera

Olá prima!
Finalmente voltaste!
Saudoso me deixaste
e sem ti não há alegre rima.
Sempre me maravilhaste...
Ando ainda mais aluado
do que estou acostumado
agora que chegaste.
Sou hipnotizado
pela vida e cores
que vieram, sem pudores,
a dançar ao teu lado.
Essas flores
que contigo trouxeste
e, sem lhes tocar, me deste
são os meus maiores amores.
Fazer-me sorrir sempre pudeste
desde que era uma criancinha.
Muito ansiava por ti, priminha,
mas finalmente apareceste.
Que fragrância docinha...
Esse teu perfume
recorda-me o laço que nos une,
ó minha querida primaverinha.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quando falo demais 
lembro-me sempre de ti.
Eras a mulher mais desbocada
que, alguma vez, conheci...
Estava zangado com ela
quando se foi embora.
Quem me dera tê-la
ao pé de mim agora...
Tantos erros cometeste
e tão pouco evoluíste.
Mas, agora, morreste...
Agora sumiste...
Ela tinha um feitio complicado
mas nada lhe tenho a perdoar.
Ainda há-de demorar muito tempo passado
até que, a mim, o perdão também consiga dar...
Muita coisa à cara te poderia atirar,
mas prefiro não te culpar.
Ao invés, vou-te venerar
porque, indirectamente, a vida acabaste por me dar.
Se a sua essência
é a vida que a movia,
então, a sua essência
perdura em nós, não na sua carcaça fria...

sexta-feira, 26 de março de 2010

TresVariando (3)

Penso em melhorar-me
dias e noites fora.
Mas sinto o medo a trespassar-me
a toda a hora.
Vejo a incerteza a abater-me.
E, assim, estou agora.
Aqui, no chão, a debater-me
para me levantar e ir embora...
Mas ir onde?
Atrás do sol quando se esconde?
Ou, talvez, até
à lua, quando se vai...
Com um pouco de fé,
pelo caminho, o parasita sai.
Mas, então, olho para cima
e em meu redor.
De repente tudo me fascina,
até o mais ínfimo pormenor.
Sinto muita pequenez,
o que me deixa algo aliviado.
Provavelmente porque, talvez,
de tudo, eu seja só um bocado.
Surpreende-me a alegria
que me invade subitamente.
Contenta-me toda esta energia
que é a vida, em movimento eternamente...
E, assim, de mim, me esqueço
sem, de mim, tentar fugir.
Existem mesmo coisas sem preço...
Como a imaginação e o seu fluir.
Como poder sonhar,
até, com o inconcebível.
Como poder contemplar
mais do que nos é visível.
Como desejar alcançar
o possível e o impossível.
Como conseguir amar
alguém tão implausível...

sexta-feira, 12 de março de 2010

O voo da borboleta

Havia uma borboleta
com asas de cor cinzenta. 
Nos seus sonhos era selecta 
Pelo seu concretizar estava sedenta. 
Muito sonhava 
(em) ter as asas doutras cores. 
Muito farta estava 
do cinzento e (dos) seus dissabores. 
Aquelas asas culpava 
por ter perdido (os) seus amores. 
Numa mudança acreditava 
se fosse bela como as flores. 
Mas a borboleta não voava, 
porque tinha medo de se magoar. 
Tão frágil se encontrava, 
que não era capaz de (o) tentar.
As cores que tanto desejava
não era (sequer) capaz de alcançar.
A coragem (de) que precisava
não era capaz de (a) ganhar.
E assim a borboleta estava
quando no céu reparou.
Uma das cores que ansiava
ela, por fim, alcançou.
A borboleta cinzenta continuava,
mas azul se imaginou.
Umas das cores que desejava
assim (a) ganhou.
Passado um momento
a borboleta estava muito colorida.
 Cheia de cor e contentamento,
aos ares fez (a) sua subida.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O tempo anda e corre.
O sol vem e vai.
A lua sobe e cai.
Mais um dia morre.
Mais um dia renasce.
A vontade cresce,
mas mais um medo nasce.
E nada mais floresce.
Uma nova resolução faz-se,
mas o coração desfaz-se..
Muito o tento reparar,
mas muitos bocados me falta apanhar.
Tantos passos errados
no jogo da vida consegui dar..
Agora passo-a a lamentar
os tantos actos falhados.
Tantos recados
ficaram por dar.
Tantos pecados
estão por perdoar.
Tanto sonhar..
mas tão pouco concretizar.
Tanto sentir..
mas tão pouco agir.
Penso demasiado,
até que fico atrofiado..
depois, debato-me mais um bocado.
Deste corrupio estou tão cansado.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Eternamente Apaixonado

Ela entra em mim.
Arrepia-me quando me toca.
Faz-me suspirar sem fim...
Por vezes quase me sufoca.
Ela é o meu anjo, o meu serafim...
É raro ela me sair da cabeça.
Não sei o que será de mim
se, n'algum dia, eu a esqueça.
Comigo, sempre, quero tê-la,
muito ou pouco me ofereça...
Ó céus! É tão bela!
Amo-a, mesmo que não me apeteça!
Com ela, quero dar uma escapadela.
Com ela, muito sorriu e muito choro.
Que seria de mim sem ela?
Ó música! Como te adoro!

TresVariando (2)

O teu olhar,
ardente e penetrante,
é capaz de me deixar
o coração palpitante.
O teu olhar,
belo e cintilante,
faz-me tresvariar
a cada instante.
O teu sorriso
faz-me sentir euforia.
O teu riso
contagia-me com alegria.
O teu corar,
quando essas bochechas se enchem,
faz-me querê-las acariciar.
Algo em mim preenchem.
O teu rubor
faz-te ainda mais apetitosa.
Como quero sentir o teu sabor,
menina... como deves ser gostosa...
Em ti me perco
e em ti me encontro.
Anseio ter-te perto.
Cansa-me tanto este confronto.
Cansa-me tanto este batalhar
entre o que desejo obter
e o que temo perder.
Não tenho medo de te amar,
mas tenho muito de o demonstrar.
Eu aceito-te como és.
Serás capaz de me aceitar?
Por favor, não me dês com os pés.
Deixa-me continuar a sonhar...

quarta-feira, 3 de março de 2010

TresVariando

A noite cai
e tenho mais uma desculpa
para me perder no pensamento.
A comoção vem e vai.
Penso em medo e em culpa.
Debato-me a todo o momento.
Ando com isto a cada dia,
a cada hora, a cada minuto,
a cada segundo...
Quero caçar a alegria.
Ao amor conquistar o usofruto.
Só isso.. e desvendar outro mundo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Homem Invisível (3)

O homem invisível tenta,
arduamente, compreender
porque ninguém o consegue ver.
Quando, a reflectir, se senta
acaba por perceber.
Só dentro dele está o mal que enfrenta.
O homem invisível escondeu-se
do mundo do sonho e do da realidade.
A sua derradeira verdade
é que, à invisibilidade,
rendeu-se.
Da sua força e felicidade
perdeu-se.
O homem invisível começou
a aceitar que não irá encontrar
alguém para o amar.
Na verdade ele já encontrou.
Só uma pessoa precisa de o amar.
Ele próprio, de quem nunca gostou.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Quero

Quero estar sorridente
como um bebé feliz e inocente.
Quero sonhar,
mas (também) sentir-me capaz
de os realizar.
Quero paz.
Quero tranquilidade.
Quero matar esta saudade
antes que comigo ela acabe.
Quero agarrar
a felicidade
e nunca mais a largar.
Quero voar
(e) bem alto.
Quero alcançar
aquele planalto
onde sempre falto.
Quero lá chegar já...num salto.
Quero brilhar
como o sol no mar,
como as estrelas, como o luar..
Quero deixar de me sentir
indesejado.
Quero ser engraçado.
Quero poder fazer-te rir.
Quero ser o teu príncipe encantado
e, a cavalo, contigo fugir.
Quero sentir calor,
como o das chamas do amor.
Quero ser importante
na tua vida. Algo constante,
como o ar que respiramos.
Se fores folhas e flor
quero ser raízes, tronco e ramos.
Vem dividir comigo todo o amor.
Eu e a minha solidão cá te esperamos.
Muito eu quero,
mas nada desejo.
Muito desespero
enquanto espero
por uma fada
e pelo seu beijo.
Percorrerás a minha estrada?
Eu não te vejo...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cofre

Vem, abre-me aquele cofre
e fica com o que lá é guardado.
A única riqueza que tenho é o meu coração empoeirado.
Por favor, cuida bem dele, que muito ele sofre.
Ele está ali, com o seu batimento irregular,
ansiando por outro que o queira acompanhar.
Leva-o depressa e dá lhe carinho.
Com as suas carências muito eu definho.
De (tanto tempo) estar fechado no escuro
precisa de ver luz e de se sentir seguro.
Se, por alguma razão, não o queres aceitar
faz-me o favor e atira-o à espuma do mar.
Tem dó.
Não mo venhas devolver.
Eu num cofre o vou esconder.
No escuro e cheio de pó.